BIDI - Parte 10 - Fevereiro 2018





Ora bem, aqui está Bidi, outra vez convosco, para a décima sessão. Passo a ouvir, então.

Pergunta: No meu desejo de libertação interior, sinto-me acorrentado à estrutura duma comunidade de vida de que sou actualmente responsável. A questão é: devo retirar-me da estrutura, da responsabilidade em relação a ela ou encontrar a liberdade interior em mim, sejam quais forem as condições de vida?

Pois muito bem, não contes comigo para te dizer o que escolher. Mas coloca-te realmente a questão: será que tens necessidade de fugir a um qualquer ambiente ou cargo para te voltares para o interior? Acreditar que o facto de dispores do tempo todo e de toda a liberdade exterior vai facilitar a liberdade interior, não leva a lado nenhum.

Se a vida te colocou nesse lugar, salvo, naturalmente, se a Luz te pedir - e aí ela pedir-to-á sem equívoco, sem te deixar escolha - , não tens de mudar o que quer que seja para te encontrares. Tu é que vês, tu é que decides, mas não existe nenhum obstáculo, nenhum estado de saúde, nenhuma idade que seja realmente um obstáculo. O único obstáculo, como é sabido, é acreditar  que és esse   corpo e essa mente. Sair disso não significa abandonar o que se faz na vida. O que é preciso é olhar para o interior, sobretudo nesta altura. Nada mais é preciso.

Eu até diria que é o contrário. Retirar-se da vida, da ilusão da vida, na esperança de encontrar a Verdade numa gruta, não serve de nada. Só vos afasta desse desígnio. A não ser no caso de certos seres a quem a Luz deu essa ordem. Nenhum peso do mundo pode afectar o que sois. Posto isto, o resto são pretextos.

Diz-se que não se tem tempo, que o marido ou qualquer outra pessoa nos rouba a energia, a consciência. Mas essa Reversão Interior, do exterior para o interior, sem ver sequer que não há nem exterior nem interior, apenas precisa de vos fazer voltar para dentro. Tudo o resto daí decorre. Mas não há que que estabelecer condições prévias, pré-requisitos, para esperar encontrar quem sois. O peso é sentido pela pessoa, não pelo observador, pelo “Eu Sou” ou pelo Absoluto.

Acreditar hoje que é preciso compreender o que quer que seja, que é necessário estudar o que quer que seja, não será da mínima utilidade para que vos encontreis. Já cá estais; o que é que ainda vos falta? Isso são pretextos. Estais onde estais, mas o que sois é independente de onde estais.

Já o afirmei: não existe condição prévia ou pré-requisito, é impossível. Senão, estais a uma certa distância, almejais um fim longínquo e pensais que é preciso transformar o exterior para ficardes disponíveis para o interior. Não é assim que as coisas funcionam. Podeis voltar-vos para o interior, independentemente do que estiver a ser feito, independentemente das actividades em curso. Houve inúmeros estudiosos que se isolaram, que meditaram, que oraram durante anos, dezenas de anos, dezenas de vidas: não avançaram nenhum milímetro, não se encontraram.

Enquanto a vossa atenção, a vossa consciência, mesmo efémera, pensar, acreditar que precisa dum enquadramento, tal não foi nem será conseguido. O mecanismo desta intimidade, deste a sós consigo próprio, deste frente-a-frente não depende de nenhuma circunstância do corpo, deste mundo. Dantes, havia as crenças que podiam proteger-vos. Mas agora, já nem isso. É no interior que as coisas se passam. Durante todos estes anos os Anciãos vo-lo explicaram. Tudo aquilo que é pesado no exterior não deve mover-vos. Não é isso que incomoda; não é isso que bloqueia e que impede o que quer que seja. A vossa disposição mental é: acredita-se que, logo, isso realiza-se; não é possível quando não se é livre, exteriormente. Mas isso é falso. São estratégias do ego, da pessoa. Tanto mais que, neste caso, se bem entendi, o que está em causa é uma comunidade, não é?

...É.

Tanto dá. E pelo contrário: se falas duma comunidade de que te ocupas, ora bem, qualquer que seja o peso, esforça-te, mesmo na relação exterior, para ultrapassar todo o exterior, começando por evocar o facto de falar de consciência a consciência e não de pessoa a pessoa.

Basta sentir, captar, neste momento, a partir da Ressurreição, uns átomos desta Evidência, para que a Derradeira Reversão seja posta em marcha e que tudo mude. É tudo. E isso pode ser feito num instante, dum fôlego.

Sobretudo no que respeita àqueles que procuraram, procuraram e voltaram a procurar, desde tempos imemoriais, fora deles, justificando-se com o que tinham visto neste mundo, com o que tinham estudado neste mundo. Mas é sabido que todo o conhecimento deste mundo não passa de ignorância. O verdadeiro conhecimento não está no exterior, está dentro. E enquanto a consciência não se interessar com o que está dentro e procurar encontrar circunstâncias exteriores, não se pode ser livre.

Mas já agora, na forma como formulas a pergunta, tens a resposta. Basta que te releias. Mas não contes comigo para te dizer que faças isto ou aquilo. Digo-te apenas que não precisas de ficar tranquilo exteriormente: a tranquilidade, em si, é interior. E pode-se estar afogado em actividades, em obrigações, sem por isso deixar de estar igualmente disponível para o que se é. Digo-vos isto: trata-se dum álibi, um pretexto, e nada mais.

… Silêncio…

Bom, alguém aqui quer partilhar, questionar, testemunhar?

...Não há mais perguntas escritas.

… Silêncio…

…Não aparecem perguntas.

Seja como for, todas as respostas estão dadas, pela vossa Presença.

… Silêncio…

Mesmo este Silêncio é Evidência.

… Silêncio…

Então, esgotaram-se todas as questões, todas as interrogações, todos os testemunhos?

... Aparentemente, sim.

Bom, se for preferível ficar em silêncio, fiquemos!

...Certo, toda a gente está de acordo.

Nesse caso, ficamos em Silêncio. Uma vaga de Luz - e não se trata de mim – deverá chegar dentro de dois, três minutos. E nesse momento, juntar-me-ei a vós, nessa fusão em Eternidade. Vamos sincronizarmos-nos com o que vai chegar, pela cabeça ou pelos pés, conforme o caso.

… Silêncio…

Muito bem, BIDI junta-se à injunção da Luz em cada um de vós.

… Silêncio…

Sentis esta densidade do Silêncio e da Evidência?

...Sentimos, sim.

… Silêncio…

...Por mim, ia dizer que,  quando a vaga chega, ouço qualquer coisa como o rolar de grandes pedras ou como o som da trovoada, ao longe. 

É mais um zumbido.

...Sim, é.

É normal, não é o som cristalino. Mas nas primeiras etapas em que - como dizer? - o complexo corpo-mente solta a pressão sobre o Si, há, tal como acontece nas saídas do corpo, esse zumbido. Mas isso rapidamente se vai tornar mais perfeito.

...Obrigada.

… Silêncio…

Não há mais nada para perguntar? Para dizer?

... Não.

Então, terminaremos esta sessão no Silêncio e na Evidência do Amor, da Sabedoria, da Verdade.

… Silêncio…

Assim sendo, BIDI vai agora retirar-se, mas vós, vós ficais aí. Porque, como a injunção da Luz está a acabar, também eu vos vou deixar a sós e vereis que tendes a mesma intensidade, a mesma qualidade de Silêncio, de Evidência.

Antes de mais, ficai calados.

BIDI saúda-vos. E diz-vos - como é que dizem os Anciãos? - “Até sempre”.

E ficai assim; ides ver...


***

Tradução do Francês: Maria Teresa Santos



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2 comentários:

  1. Se a vida te colocou nesse lugar, salvo, naturalmente, se a Luz te pedir - e aí ela pedir-to-á sem equívoco, sem te deixar escolha - , não tens de mudar o que quer que seja para te encontrares. Tu é que vês, tu é que decides, mas não existe nenhum obstáculo, nenhum estado de saúde, nenhuma idade que seja realmente um obstáculo. O único obstáculo, como é sabido, é acreditar que és esse corpo e essa mente.

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  2. Eu até diria que é o contrário. Retirar-se da vida, da ilusão da vida, na esperança de encontrar a Verdade numa gruta, não serve de nada. Só vos afasta desse desígnio. A não ser no caso de certos seres a quem a Luz deu essa ordem. Nenhum peso do mundo pode afectar o que sois. Posto isto, o resto são pretextos.

    Grato Maria Tereza
    Rendo Graças

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